Mundo BANI e o que o RH tem a ver com isso

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Muito conhecido no meio corporativo, inclusive pelos profissionais de RH, o termo VUCA — sigla em inglês, formada pela primeira letra das palavras: volatility (volatilidade), uncertainty (incerteza), complexity (complexidade) e ambiguity (ambiguidade) —, já foi pauta de muitas discussões. Entretanto, toda organização está submetida a transformações, o que demonstra a falta de previsibilidade e a velocidade das mudanças das coisas. Nesse cenário, emerge um novo comportamento dos gestores dentro das organizações: o Mundo BANI.

Quando o conceito do mundo VUCA surgiu, nem de longe possuíamos a tecnologia de hoje, o acesso à informação e qualquer artigo futurista digital. Vivemos em uma nova era.

Por isso, as transformações crescentes e constantes se tornam cada vez mais uma realidade dentro das organizações. Eventos como o da pandemia de Covid-19 nos provam que não existe mais uma previsibilidade e as coisas podem mudar de um dia para o outro.  

O que significa “Mundo BANI”?

A sigla BANI, originalmente do inglês, significa Brittle, Anxious, Non-linear, Incomprehensible. Em português se traduz como: frágil, ansioso, não linear e incompreensível.

Criada pelo antropólogo norte-americano Jamais Casci, a expressão “Mundo BANI” tem sido então muito usada para se referir ao desafios enfrentados no século presente, quando ele compartilhou suas percepções sobre a realidade, publicando um artigo intitulado “ Facing the Chaos” em 2020. 

“O BANI é uma maneira de se enquadrar melhor e responder ao estado atual do mundo.

Algumas das mudanças que vemos acontecendo em nossa política, nosso ambiente, nossa sociedade e nossas tecnologias são familiares — estressantes à sua maneira, talvez, mas de um tipo que já vimos e lidamos antes.
Mas muitas das convulsões em andamento não são familiares, são surpreendentes e completamente desorientadoras.
Eles se manifestam de maneiras que não apenas aumentam o estresse que experimentamos, mas também multiplicam esse estresse.”

Em decorrência desse caos experienciado, a sociedade passa a enfrentar uma grande fragilidade, culminando em uma gigantesca crise de caráter psíquico, que representa o constante aumento do número de casos de ansiedade, depressão, burnout etc. 

Brittle (Frágil)

No conceito BANI, o entendimento é de que o mundo em que estamos vivendo é frágil e parte do princípio de que o que temos certeza hoje pode virar uma incerteza amanhã. Ou seja, é preciso considerar que uma situação favorável e positiva pode simplesmente tomar um outro rumo.

Assim, o Mundo BANI pede que a gente esteja sempre preparado para enfrentar o imprevisível. A ter, sempre, uma carta na manga, uma saída para situações urgentes e extremas.

Anxious (Ansiedade)

A incerteza gera ansiedade. O senso de urgência tem pautado as decisões e isso acaba virando gatilho para desencadear sentimentos de tristeza e angústia. As pessoas estão trabalhando com uma margem de erro maior, porém, fazem uso de atitudes mais rápidas para aproveitar oportunidades.

Diante de tantas tragédias e notícias ruins, as pessoas têm se fechado em uma bolha para se manterem afastadas de tudo aquilo que causa algum sofrimento. É uma tentativa de criar a falsa ilusão de que cada um de nós tem controle sobre as coisas.

Non-linear (Não linearidade)

Planejamentos a longo prazo podem não fazer mais sentido no Mundo BANI. Isso acontece porque várias ações estão em curso simultaneamente e, em um mundo não linear, nós não temos controle daquilo que está por vir.

Ao mesmo tempo, é difícil ver as conexões entre diferentes coisas ou perceber que outros projetos e processos acontecem paralelamente ao nosso redor. É por isso que o Mundo BANI nos coloca em uma constante mudança, mostrando que, rapidamente, teremos que adaptar a forma como trabalhamos para fazer parte dessa nova realidade.

Incomprehensible (Incompreensível)

Não é de hoje que buscamos respostas para tudo, afinal, o que mais temos acesso hoje em dia são informações. Só que, por outro lado, montar uma estratégia baseada apenas em dados pode não ser sinônimo de sucesso, uma vez que mudamos de ideia o tempo todo.

Diante de uma realidade com tantas mudanças e acontecimentos, é fácil perder a conexão com a realidade e ter dificuldade em compreender o mundo em que estamos vivendo. O avanço tecnológico também fez a sua contribuição em diversas áreas e a sensação que temos hoje é que já não é mais possível entender a forma como as coisas funcionam.

Mas o que o RH tem haver com isso?

Quando falamos em Mundo BANI, um de seus principais efeitos é a forma como ele afetou as pessoas. A maneira de se relacionar com as pessoas, com o trabalho e até com nós mesmos alterou drasticamente, causando implicações para profissionais que trabalham diretamente com pessoas, exigindo delas novos posicionamentos. 

Sendo assim, o RH também precisa passar por adaptações, pensando em novas estratégias, que atendam as necessidades desta nova realidade. Confira abaixo algumas ações estratégicas que devem figuras entre as iniciativas do RH no Mundo BANI:

  • Cuidados com a saúde mental devem ser vistos como prioridade;
  • A retenção de talentos agora depende de aspectos que vão muito além do salário, tais como o clima da organização, cultura e benefícios;
  • A palavra do momento é flexibilidade, em todos os sentidos, por isso deve ser uma preocupação do RH oferecer este elemento ao seu colaborador;
  • Além disso, no Mundo BANI, onde tudo acontece de maneira acelerada, as pessoas passaram a se preocupar muito mais com sua capacitação, por isso o RH deve pensar novas formas de investir no desenvolvimento do seu colaborador.

Como o RH deve se preparar para o Mundo BANI

1. Estratégias para retenção de talentos

Um estudo da Microsoft mostrou que 41% da força de trabalho global está considerando a demissão.

Isso quer dizer que será necessário melhorar as estratégias de retenção de talentos, considerando tendências e experimentação do que há de melhor no mercado para a realidade da sua empresa.

Além disso, com a ascensão do modelo de trabalho remoto, milhares de talentos estão mais favoráveis a trabalharem em qualquer lugar do mundo e com flexibilidade de horário. O RH terá o papel de mediar essa relação.

2. Upskilling e Reskilling

O Reskilling, também conhecido como reciclagem profissional, é uma abordagem de desenvolvimento de pessoas focada na requalificação de colaboradores.

Ela é para profissionais que estão em busca de uma nova oportunidade dentro da empresa.

Já o Upskilling é a atualização de um profissional com o objetivo de atender às novas configurações do mercado para dar-lhe uma oportunidade de melhorar o seu desempenho.

Em um Mundo BANI, o RH precisa fornecer insumos de otimização da carreira dos colaboradores, para que eles se tornem anti-frágeis e mais estáveis em suas posições.

3. A importância da saúde mental no trabalho

A Lpsos em uma pesquisa recente constatou que 41% dos brasileiros relataram ter sintomas de ansiedade, insônia ou depressão em março de 2020. Reconhecendo que a saúde da pessoa colaboradora é extremamente importante — seus desafios serão refletidos em todas as esferas da sua vida — o diagnóstico das doenças relacionadas à mente também irão invadir o ambiente de trabalho.

O RH precisará trazer soluções para as questões de saúde mental dos colaboradores; isso pode ir desde os benefícios corporativos de plano de saúde, terapia e tratamentos alternativos, até a adoção de horas de trabalho reduzidas, como a short friday.

4. Desenvolvimento de habilidades intrapessoais

As habilidades intrapessoais são aquelas que tratam do conhecimento de si. Elas estão ligadas à auto-estima e autoconhecimento e demandam um alto nível de inteligência emocional para que a pessoa conheça seus limites, forças e desafios.

Em um mundo BANI, os colaboradores vão precisar ter essas habilidades desenvolvidas para que seu nível de produtividade esteja sempre dentro do que é esperado.

Diante disso, é muito importante que o setor de Recursos Humanos também proporcione momentos para desenvolvimento de habilidades intrapessoais.

Assim, os profissionais se sentirão mais confiantes, focados, determinados e com alto nível de resiliência.

5. ESG — Environmental, Social, and corporate Governance

A configuração do Mundo BANI forçou as empresas a repensar o seu posicionamento sobre modelo de trabalho, saúde e segurança dos colaboradores, impacto social e diversidade.

A sigla ESG significa environmental, social and corporate governance, em português “meio ambiente, social e governança”.

O RH precisará se posicionar; ações de diversidade, employer branding e comunicação em conjunto com a área de Relações Públicas serão mais importantes do que nunca.

6. Tecnologia como aliada, não como inimiga

O avanço da tecnologia foi visto, por muitas vezes, como um entrave para o RH, contudo, durante o isolamento social essa foi a única solução.

Nesse cenário, grande parte das empresas adotaram novas ferramentas para otimização dos processos. Elas viram esses meios como oportunidades de tornar o setor mais ágil e produtivo.

Por outro lado, outras empresas ainda possuem certo apego aos modelos tradicionais de gestão de pessoas por terem inseguranças relacionadas ao investimento financeiro.